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Namastibet

     

, 16:53

Diario de um louco

Publicado por namastibet  |  0 comentarios


Transhumante parte 3 / Dirio de um Louco

Transhumante Parte 3 (Dirio de um Louco)


Os primeiros orvalhos do Outono j se faziam sentir nas plancies madrugadas de Espanha e vestiam-se de ruivo nas espigas e nas vistas da janela do comboio/Hotel Lusitnia. O Transhumante despertava de uma noite mal dormida em solavancos e guinadas para mais uma etapa nos Pirenus, depois de chegar a Madrid ainda teria de percorrer outras estaes e outros comboios mais modernos e rpidos que o levariam at onde tinha terminado no ano anterior, em Ainsa, S. Joan de Plan/Biads.
Um txi colectivo despejou-o j noite, no fim da estrada de alcatro que to bem conhecera no ano anterior (2010), sabia a distancia que iria percorrer a p at ao refgio, (cerca de vinte quilmetros) mas no se estaria aberto, dada a proximidade do outono e, para aumentar a incerteza no tinha jantado ainda, nem comida para a viagem e para se lanar nos caminhos costa a costa do GR 11.





Ainda ponderava na lucidez do seu estado mental , que o levava a fazer este disparate de atravessar os Pirenus do Atlntico ao Mediterrneo quando as luzes de um veculo-todo-terreno iluminam a estrada, - iam na mesma direco e tinham uma valiosa informao O refgio estava aberto - tinha transporte e tambm onde "senar" jantar e dormir nessa noite, comeara bem esta aventura de loucos.
Acordou "com as galinhas", mal se avistavam os caminhos tnues da montanha , felizmente o bom tempo presenteava ainda um doce fim de Setembro que mais parecia primavera e nas pernas do Trashumante, as primeiras horas decorreram gloriosas, corria como um louco, esquecera tudo quanto deixara para trs, respirava o silencio do nada numa terra inundada de loucura.
Recordava as manhs longnquas de quando iniciou dois anos antes em Irun esta rota e lhe parecia estar to distante o final, no Mediterrneo em Cap de Creus, mas afinal j tinha feito metade, estava agora percorrendo a parte mdia ou central, mas tambm a zona mais alta da cordilheira Pirenaica, onde as tempestades poderiam ser mais perigosas e as etapas mais dolorosas com desnveis considerveis(entre os 900 e os 2.700 metros).
Conhecia grande parte destes lagos de montanha e parques naturais paradisacos, melhor que o resto da cordilheira, mas durante todos os anos que deambulou por aqui, nunca imaginara que pudesse passar um dia correndo de Norte a Sul ainda menos como lobo ou urso solitrio, quase sem roupa para mudar, sem comida para as jornadas nem apoio logstico ou mesmo transporte prprio para fazer, depois de terminadas as jornadas, os 1.100 km que separavam a montanha, do conforto da casa e da famlia, da normalidade.
Era uma rematada loucura estar correndo os 800 km da rota Pirenaica no sendo um habitante local, habituado e melhor conhecedor da regio, para estes bastavam oito dias, como lhe disseram ser o "record" da travessia, mesmo assim estava determinado a usar apenas 12 /13 dias, talvez poucos o conseguissem.
Na porta do refgio de Ests, num papel escrito a pressa, dizia que o guarda voltaria prximo do meio-dia e meia hora, tentaria almoar mais tarde, apesar do estmago j o avisar, esperava no perder o trilho ou perderia tambm as refeies dos dias seguintes.
Quando descia o interminvel valle de Estos interrogou uma famlia de camponeses locais que se encontravam colhendo "setas" (cogumelos), perguntou se estaria na direco certa para Andorra e mais uma vez ficou desassossegado perante a resposta, segundo eles estaria completamente fora de rota e era uma loucura, segundo eles, aventurar-se assim, em distancias to absurdas e sem saber onde estava, nem por onde ir, diziam eles que Gr 11 eram todos os GRS, pois todos tinham o mesmo nome GR 11.1,GR 11.2 etc.
Revelou-se mais uma vez ser desnecessrio pedir informaes a quem no entendesse as razes de outros para quebrar as prprias peias mentais.
A meio da tarde um oportuno "camping" ainda aberto nesta poca, junto da estrada principal que conduz a Frana pelo tnel de Bielsa, proporciona-lhe a to desejada refeio com cerveja para pacificar a sede, j se faziam notar no cu as nuvens negras da trovoada que a vinha.
Um estrado largo e montono condu-lo durante toda a tarde a uma portela que tardava em chegar at que, pelas 17 horas encontra duas jovens moas, Ivone e Elena a porta de um refgio no guardado, acompanham-no e ajudam-se mutuamente a superar o medo da tempestade e dos sonhos em que um urso dourado, o devora devagar at de madrugada.
Tal como noutra etapa em que Miguel, o S. Miguel "da porta do convento", foi um considervel apoio depois de um p torcido, aqui Ivone e Elena, tiveram tambm um efeito reconfortante perante uma noite feita dia com os "flashes" de tantos e tantos relmpagos apenas com um mero segundo entre a luz e o som, nos intervalos via aparecer perfilados "hobbits" ,"brujas" e outras personagens surreais.




O dia seguinte ainda seria mais alucinante que a noite, o ar estava lmpido como sempre fica na bonana depois da alguma tempestade e a correria pelo monte abaixo embriagava-o, o vento fustigava-o no rosto transpirado e continuava a correr indiferentes as dores nos joelhos, as bolhas nos ps, ao cansao de todos os msculos, alguns at que nem ele sonhava existirem.
A meteorologia adiantava neve para os prximos dias em cotas acima de 2.500 metros e ele tinha de ser rpido pois apenas teria o dia seguinte para chegar o mais prximo possvel de Andorra.
Tentou alcanar o refgio de Colomers, j seu conhecido mas em vo, ao chegar a "Restanca", de novo os guardas do refgio o tentam convencer do perigo grande que continuar, de noite e sob a to terrvel tempestade regressada novamente durante a tarde e num caminho mal balizado nessa zona. Ele convence-se a deixa-se ficar perante uma promessa de jantar, cama seca e do primeiro banho em muitos dias.
Mais uma vez acorda com pesadelos, noite cerrada, para tentar fazer render o ltimo dia antes do nevo,antes das pistas de montanha ficarem tapadas pela neve. Surpreende-se da forma fsica que tem aumentado desde que chegou e da vontade anmica de correr por entre os caminhos tortos dentro do parque de Saint-Maurici/Encantats.




Chega a Espot ainda cedo, resolvido a no continuar mais alm, o cu prometia neve mas sentia a sensao "Dolce" de dever cumprido. Andorra era j ali ao virar, no total das 3 etapas tinha percorrido 2/3 dos 800 km que separavam o Atlntico do Mediterrneo pelo trilho do Gr 11, recomearia no prximo ano por Esterri DAneu, agora j por Barcelona/Manresa, mas de avio, a viagem de 24 horas comboio/autocarro para superar os 1.100 km entre casa e o objectivo era mais cansativa que a travessia da montanha grande.
Tinha um sonho por realizar entretanto, pedalar 13.000 km de Xina a Istambul por entre etapas e alucinaes, desertos e vises de outros mundos mais ou menos paralelos. para ele...





http://joel-matos.blogspot.com
Jorge Santos (09/2011)



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Sobre este Blog
Blog creado por namastibet el 13/09/2012

A ROTA DA SEDA A ideia em seguir de bicicleta a rota mercantil primordial da humanidade, tinha-se adaptado imaginao, durante anos como uma lapa ou um crustceo nas rochas, Jo (o Transhumante) pensou ser chegado o momento de partir....


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