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Namastibet

  

, 11:36

O regressO

Publicado por namastibet  |  0 comentarios


O regressO

O regresso

Chovia sem cessar quando parti do mosteiro de Dulan, cerca das 23 horas, no carro da polcia, devidamente identificado e com matrcula, acompanhavam-me a tradutora e um jovem polcia fardado com afinco, ainda se notavam os vincos da goma na farda cinzenta.
Encetei uma conversa casual com a tradutora, esta fingiu-se pretensamente indisposta, talvez para no dar azo a ms interpretaes da autoridade que nos acompanhava ou por no querer falar com desconhecidos, remetendo-se ao silncio...
O hotel em Wulan, onde obrigatoriamente dormiria essa noite tresandava a novo e parecia de outra dimenso, sofs imaculadamente brancos de nunca usados, assim como o quarto jamais utilizado, perfeitamente intacto, assim era o Ingls para o pessoal do hotel dito "turstico".
Pediram atravs da tradutora o meu passaporte e o equivalente a trinta e cinco euros, pagos antecipadamente, mais uma cauo do mesmo montante a qual recusei pagar, afinal era quase todo o dinheiro que tinha retirado da caixa automtica, com a ajuda dos primeiros agentes de segurana, pagava cauo onde era forado a ser hospede, a rececionista olhou para o delegada da autoridade e bastou um leve aceno de cabea afirmativo do jovem polcia para esta ignorar o absurdo deposito, ficando apenas com o salvo-conduto.
O quarto com duas camas imensas almofadadas na cabeceira em vermelho Maosta e toda a decorao do quarto lembrava um decadente bordel.
Sentia-me perdido nos confins da China e no ousei implorar que ligassem a gua quente, teimava em assomar na torneira uma gota de gua, insuficiente mesmo para uma lavagem de gato.
Abri devagar uma fresta da porta para confirmar o que supunha, a subtil presena do guarda sentado num dos sof brancos do trio, o quarto posicionava-se num corredor de fcil observao para o "hall", sem outra sada que no fosse rente minha previdente escolta, a qual achou por bem instalar-me de manh cedo no lugar "VIP" do velho autocarro, atrs do motorista e aps uma curta troca de palavras com a revisora.
Paradoxalmente sentia-me aliviado perante a incgnita que representava a travessia do deserto do Taklamagan, por um lado desejava atravess-lo mas por outro receava-o sem ser capaz por "leitmotif" de desistir
De regresso a Huangyuan, cidade que tinha visitado dias antes, comodamente sentado no autocarro avistei por uma ltima vez o suposto "Mosteiro de Dulan," mirei os gestos e rostos dos passageiros e vi que nenhum descobrira a cabea ou balbuciara os "Mantras" como estava habituado a presenciar em passagem por outros locais sagrados, admirei-me desta atitude por parte dum povo to devoto ao Budismo tradicional.
Encontrava-me perto da fronteira Norte do Tibete, no altiplano de feio Gelugpa, (tradicionalmente conhecidos por chapus amarelos) prximo das comunidades muulmanas "autnomas "de Uygurs, do ancestral Turquesto Oriental, dos focos de rebelio, dos separatismos e da "Primavera rabe ( chinesa) ", qual a "Grande Muralha" no escapava, ainda que as notcias no transgredissem o "Status Quo" imposto pela asfixiante ditadura, que aos olhos dos governos ocidentais parecia mais cor-de-rosa do que encarnado vivo, mais capitalista; a prtica USA j conseguia vender hamburgers e Starbucks de Beijing a Shangai.
Em HuangYuan resolvi mudar de transporte e usar o comboio, foi uma tarefa espinhosa numa cidade em obras, como quase todas na China, no me conseguia fazer entender imitando os sons do comboio tpico, o qual esta China montanhosa nunca conhecera, passaram a poca do fabuloso furgo "Tch-Tch-U-uuuuu-pouca-terra-pouca-terra" para as locomotivas eltricas e modernas, consegui finalmente que um taxista entendesse a minha linguagem gestual e colocasse a bicicleta, meio dentro, meio fora do porta bagagens, no minsculo txi amarelo.
Voltei ao mesmo dilema na caixa do banco, esta no aceitava os meus quatro dgitos, no interior da instituio financeira no cambiavam Dlares ou Euros e era difcil mesmo mostrando o referido carto, fazer entender uma pretenso to simples como era encontrar o "bank of China" a palavra Bank no funcionava e China tambm no.
Os Yuans eram em quantia suficiente para comprar o bilhete de comboio para regressar a Xian e a incerteza financeira e logstica aumentava no tinha forma de regressar , o meu retorno era pela antiga Republica Russa do Quirguisto, cada dia mais e mais distante,
Dentro, a grande gare estava repleta de militares que iam e vinham do Tibete, era o centro das atenes, uma jovem prximo demonstrou por sinais que iria na mesma carruagem e na mesma direo, como tal fiquei descansado.
Surgiu o meu perptuo acompanhante, aquele que me havia agraciado com um crach na camisola suja, havia duas semanas, tinha sempre aparecido como"do ar", junto ao Quinghai Lake e na vila de Heimaha Exiang, onde me interpelou, de novo agora, na gare, mostrou-se ainda mais amigvel, abraou-me entusiasticamente e perguntou (pareceu fingir no saber) -porque estava regressando a Beijin, expliquei-lhe apesar de desnecessrio, vi fechar-se-lhe o rosto assim que me referi hostilidade das autoridades, demonstrava que no lhe interessavam as minhas desventuras.
Entretanto aproximou-se um sujeito magro, com cerca da mesma idade, afirmou pertencer "Geographic Society of China", mostrou-me uma identificao qualquer, logicamente escrita em Chins e pareceu interessado na minha viagem, tirmos uma foto de grupo, pediu amavelmente para observar no meu Visa se haveria limitaes de acesso a Xinjiang ou a qualquer outra provncia da China, disse no ver nenhuma.
Ultrapassado o tempo previsto para embarcar, perguntei apontando o relgio, moa que anteriormente tinha afianado ir na mesma direo, mostrei-lhe o bilhete, esta pediu-me desculpa e mostrou-se pesarosa pois tinha-me induzido em erro e eu havia perdido o comboio.
Por instantes entrei em pnico, sem dinheiro, nem para comer e sem transporte afigurava-se o pior, felizmente trocaram o acesso na estao tendo efetuado a viagem de quase 20 horas de regresso a Xian, sem qualquer alimento.
Em Xian aumentava mais a minha angstia na dvida de conseguir regressar, os muros no mais me pareciam histricos e belos, a cidade transfigurara-se em mais uma priso


(continua)



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Sobre este Blog
Blog creado por namastibet el 13/09/2012

A ROTA DA SEDA A ideia em seguir de bicicleta a rota mercantil primordial da humanidade, tinha-se adaptado imaginao, durante anos como uma lapa ou um crustceo nas rochas, Jo (o Transhumante) pensou ser chegado o momento de partir....


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